Os Açores dispõem de reservas de combustíveis que garantem cerca de 30 dias de abastecimento, revelou hoje o Governo Regional, que exige "prioridade" no acesso à reserva nacional em caso de necessidade.
No documento, o executivo açoriano aponta "razões de segurança estratégica" para não realizar a "discriminação exata por ilha e por tipo de combustível (rodoviário, agrícola, aviação e fuelóleo)" das reservas.
O Governo Regional explica que o "financiamento das reservas estratégicas é assegurado através de uma prestação pecuniária (taxa) paga por todos os operadores económicos que introduzem combustíveis no consumo" e realça que a região dispõe "capacidade de armazenamento local para cerca de um mês de consumo".
No caso de interrupção no abastecimento marítimo, o executivo açoriano detalha que a região fica dependente das "reservas físicas de 30 dias", já que a "mobilização do restante contingente nacional depende" de articulação com o Governo da República.
"O Governo Regional tem exigido ao Governo da República que a situação da Região Autónoma tenha prioridade no acesso à reserva nacional, caso se mostre necessário", reforça.
Questionado pela dependência de combustíveis fósseis, o executivo açoriano assegura que, até "2028, os novos projetos de geotermia, energia eólica, energia fotovoltaica e armazenamento em baterias nos Açores deverão ter um impacto significativo na redução da necessidade de fuelóleo".
"Estima-se que o reforço na aquisição de energia renovável e endógena permita evitar o consumo de cerca de 37.000 toneladas de fuelóleo e 4.300 quilolitros de gasóleo, tendo como referência o consumo registado em 2025", lê-se na resposta.
A 23 de abril, o deputado único da IL no parlamento açoriano, Pedro Ferreira, questionou o Governo Regional sobre as reservas estratégicas de combustíveis da região, recordando que os Açores "dependem totalmente" do transporte marítimo neste setor.
Num requerimento remetido à Assembleia Legislativa dos Açores, o liberal questionou "que mecanismos contratuais ou protocolares existem para garantir que uma quota-parte das reservas nacionais geridas pela ENSE está fisicamente nos Açores e não apenas 'contabilisticamente' atribuída à região".
O aumento dos preços dos combustíveis acontece num contexto de forte tensão geopolítica no Médio Oriente e após o ataque dos Estados Unidos ao Irão, com os preços do petróleo pressionados pelo encerramento do estreito de Ormuz e pela volatilidade dos mercados internacionais.

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